Governar de baixo para cima: Construir o Poder Popular para o povo governar.

Esse documento faz parte do esforço de organizações e indivíduos, de propor uma nova forma de participação política, ou seja, uma participação de baixo pra cima, por todas e todos que sentem diariamente as dores de se viver numa realidade de injustiças, miséria e discriminação, mas também de esperança e força de vontade para mudar desde agora as condições que nos cercam e as relações que nos tocam.

Estamos no período de eleições municipais. No entanto, estamos fartos de tantas promessas, mentiras, escândalos de corrupção envolvendo a política partidária. É somente no período de eleições que nos convocam para comparecer às urnas, como se votando nos candidatos fossem resolver todos os nossos problemas. Mas acreditamos que a política vai muito além do voto, por isso propomos os Congressos Municipais/Outra Campanha.

A proposta que temos para essas eleições é inspirada na experiência acumulada pelo Movimento das Comunidades Populares que em 1969 – quando a grande maioria da esquerda revolucionária acreditava que só a luta armada, promovida por organizações de vanguarda, poderia enfrentar a ditadura – esse movimento realizou em Vacarias, RS, um congresso popular com cerca de 2000 pessoas. Isso depois de um longo processo de preparação nos bairros com levantamentos de problemas para pressionar os candidatos a resolvê-los. E assim essa experiência se repetiu em eleições municipais do anos de 1993,1996 e 2008. Em 1993, por exemplo, foram realizados 15 congressos em 15 municípios, 11 assembleias em 8 municípios e 18 encontros em 20 municípios. Com a pesquisa de casa em casa foram atingidas quase 18 mil pessoas.

Com o fim da ditadura, o MCP avaliava que a abertura política era uma estratégia das classes dominantes para evitar a revolução popular, que já acontecia em outros países. O plano era abrir politicamente, mas não economicamente; o modelo econômico continuaria o mesmo. Por isso, entendemos que a assim chamada democracia representativa não foi e não é capaz de promover a participação popular.

Criada no México, a OUTRA CAMPANHA é o nome atribuído a uma iniciativa política de comunidades independentes que defendem a participação popular impulsionada pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional ( EZLN) e seus aliados em todo o México. Em Junho de 2005, o EZLN, a partir da Sexta declaração da selva Lacandona, decidiu convidar organizações políticas e indivíduos a construírem um movimento nacional. Em Janeiro de 2006, já na época das suas primeiras jornadas, os zapatistas perceberam que tal tarefa deveria passar necessariamente pela elaboração de um PROGRAMA NACIONAL DE LUTAS, com vistas a criar uma nova constituição política na qual estivessem explícitas as demandas (problemas) do povo Mexicano.

Para a confirmação de tal propósito as entidades participantes da OUTRA CAMPANHA, buscaram escutar o povo Mexicano, grupos organizados ou não e todos aqueles que têm interesse em mudar a sociedade capitalista, regidos por certos princípios como: anticapitalismo, horizontalidade, democracia direta, autonomia e igualdade. O movimento assim iniciou a sua caminhada pelos vários municípios em todos os 31 estados mexicanos os delegados zapatistas escutaram as queixas do povo, suas angústias, apreensões, partilhando com ele as suas necessidades.

Desta generosa iniciativa os delegados colheram, além da magnífica experiência, os pontos de um programa verdadeiramente popular. Construído a partir da base da sociedade mexicana, daquela que produz as riquezas, com amparo na consistência dos fatos e na opinião de quem de fato trabalha. Um programa tanto mais forte por não ter nascido de uma “única mente”, de uma ideia individual, mas da longa experiência da classe, de suas reflexões, resultado por tanto da sabedoria popular.

Na verdade tudo isso teve seu início a partir do mês de agosto de 2003, inspirando-se no imaginário coletivo dos povos originários do Sul do México, os zapatistas passaram a concentrar seus esforços no resgate de antigas técnicas de resistência, construindo a autonomia através de zonas batizadas de Caracoles (espirais) e das Juntas de Bom Governo, instâncias de coordenação das comunas autônomas em cada zona do estado de Chiapas. A iniciativa tinha um caráter fundamentalmente organizativo, uma vez que precisavam encontrar maneiras diferentes daquela determinada pelo Estado para a convivência comunitária.

Baseado no acúmulo dessas duas experiências e de outras que não citamos aqui queremos atuar durante o período eleitoral sem dividir o povo e nem iludir o eleitor, mas construir um Programa que pressione a prefeitura a resolver os problemas da maioria da população, que é quem mais precisa.

Precisamos criar o poder popular para garantir a participação do povo na elaboração de um Programa do Governo Municipal e, depois da eleição, manter o controle popular das políticas públicas a partir da base. Para construir o Poder Popular, precisamos unir todos os movimentos populares, entidades sindicais e associações de trabalhadores, comunidades religiosas de base, povo indígenas,assentamentos de agricultores e quilombolas que existem nos nossos municípios, Organizações não Governamentais de caráter popular, etc.

Precisamos realizar pesquisas de casa em casa e em reuniões de base, para levantar os principais problemas da população. A partir daí, elaborar proposta de solução desses problemas para os próximos 4 anos. O Programa Popular deve chegar às mãos dos candidatos, da imprensa, do Ministério Público, etc., antes das eleições. A entrega do Programa pode ser feita por meio de Assembleias Comunitárias, Congressos ou Encontros Municipais, Caminhadas (marcha) ou até , Ato público de caráter cultural, de acordo com as decisões tomadas nas Assembléias.

O importante é o povo aprender a governar de baixo pra cima, a exercitar a democracia participativa/direta. Mais importante ainda, é continuar organizado como Frente Popular para todos os anos avaliar, em Assembleia Popular, como estamos encaminhando a solução de problemas que podem ser resolvidos por iniciativas coletivas, ou seja, pelo próprio povo e se a administração municipal está implantando o nosso Programa. Caso não esteja, discutir forma de pressionar o poder público municipal.

NOSSOS SONHOS NÃO CABEM NAS URNAS: EXISTE POLÍTICA ALÉM DO VOTO!
CONSTRUIR O PODER POPULAR, PARA O POVO GOVERNAR!

Assinam esse Documento

Grupo de Educação Popular (GEP)

Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST)

Movimento das Comunidades Populares (MCP)

Movimento dos Trabalhadores Desempregados pela Base (MTD pela Base)

Organização Anarquista Terra e Liberdade

Organização Popular (OP)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s