Mulher, que a tua família seja todos que lutam por liberdade!!!

Que mulher nunca foi subestimada pelo simples fato de ser mulher? A herança histórica de inferiorização permeia ainda os dias de hoje, refletindo a mulher como o sexo frágil, menos capaz física e intelectualmente, motivada sempre emocionalmente e privada de racionalização consistente – mulher esta que é pintada por uma sociedade que insiste há tempos em tomar o mais “fraco” como objeto-propriedade. E tendo por base esta figura projetada da mulher – escrava de deveres morais, submissa e dependente – ainda hoje são alvo de violência psicológica, verbal e mesmo física, entre outras.

No Brasil, cerca de 90% dos casos das agressões são cometidos por seus próprios companheiros e ex-companheiros e cerca de 10% por outros, incluindo parentes. Em muitos casos as agressões causam lesões graves e levam ao óbito (feminicídio). A vergonha, o sentimento de culpa, a dependência emocional e financeira são entraves para que as mulheres denunciem seus agressores, e a situação se complica ainda mais quando existem filhos. Além disso, o julgamento desses casos vistos pela policia e pela (in) justiça como crimes passionais, influenciando a sociedade a encarar da mesma maneira, desencorajam as mulheres a procurarem ajuda e direitos.

Quanto à violência sexual, quando não é cometida por seus próprios companheiros ou ex-companheiros, ocorre a culpabilização das mulheres por serem estupradas e abusadas devido às suas vestimentas, ao horário em que saíram à noite ou por embriagues quando a única justificativa é a relação de poder e propriedade.

Até hoje, mulheres que exercem as mesmas funções que homens ainda recebem salários significativamente inferiores. E em muitos casos, devido às situações de submissão, sofrem assédio moral no trabalho e ainda correm o risco de perder o emprego em caso de gravidez.

No caso das mulheres por identidade de gênero, como por exemplo, transsexuais, estas muitas vezes são perseguidas, até mesmo mortas, e não têm suas identidades reconhecidas.

A mídia também impõe padrões de beleza com suas propagandas, programas sexistas apelando para nudez em troca de audiência ou criam personagens com a ideia de um perfil “inferior” de mulheres – negras, pobres, analfabetas e etc. – em troca de humor; as mulheres que se encaixam neste perfil, na maioria das vezes, exercem trabalhos servis e têm menos acesso à educação e à cultura.

Há ainda outras formas de violência cometidas contra mulher, muitas delas institucionalizadas, como o caso de mães em situação de rua que perdem o pátrio poder e tem seus filhos levados para abrigos e encaminhados para adoção. Entendemos que em casos extremos de dependência química, quando a mulher não tem condições de cuidar da criança, isso se faz necessário. Porém é inadmissível que a mulher chegue a esse ponto sem receber assistência nenhuma por parte do poder público.

Qualquer manifestação de violência contra mulher deve ser vista como crime contra gênero sob a forma de dominação, controle, poder e propriedade, herança histórica imposta pela sociedade machista, patriarcal e capitalista, entranhado no comportamento social e naturalizado, mantendo os fatos ainda velados.

Além disso, a opressão das mulheres é uma questão de classe, visto que a mulher é mais ou menos oprimida de acordo com a classe à qual pertence, estando sempre em posição inferior aos homens dentro da própria classe.

Há quem pense que a discussão sobre gênero está superada, mas a relação hierárquica do homem sobre a mulher permanece presente, sendo bastante sintomática nos lares, nos trabalhos, nos espaços de convivência, onde muitas vezes os discursos não condizem com as práticas, ou se usam dois pesos e duas medidas. Ademais, a liberdade da mulher está atrelada à libertação humana, que por sua vez é inerente à destruição do capital. Para tal, ambos os gêneros devem lutar juntos contra toda forma de opressão e exploração, por uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária.

Por isso é importante não naturalizar a violência contra mulher e entender que todos somos responsáveis por combater esse mal. Mesmo sabendo que só uma lei não vai mudar a realidade, devemos fazer valer a Lei Maria da Penha e denunciar qualquer caso de violência que temos conhecimento através do número 180.

Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Desempregados pela Base

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