Pela redução da tarifa e contra a criminalização do povo

Corrupção, descaso social e uso indevido do dinheiro público também são formas de violência. E todos os dias o povo sofre dessa violência cometida pelos governantes e empresários. Máfias dos planos de saúde, filas de espera intermináveis para consultas, falta de recursos e médicos trabalhando sem estrutura nos hospitais. Escolas públicas caindo aos pedaços ou sendo fechadas pelo governo, desvalorização do professor e demais funcionários, ganhando salários ridículos e sem condições para trabalhar. Moradores de comunidades que são despejados por conta das intervenções urbanas do estado, recebendo indenizações que não dão para comprar uma casa em lugar nenhum, são tratados com violência e desrespeito. Indígenas sendo despejados da Aldeia Maracaña pelo estado. Falta de saneamento básico nas comunidades, coleta de lixo ineficiente, deslizamentos de encostas; os pobres morrem e sofrem por conta dos crimes cometidos pelo governo que não cumpre nem o básico para o bem estar do povo.

O caos do sistema de transporte coletivo

Como se não bastasse toda essa política irresponsável e criminosa dos governantes, sofremos diariamente a violência de sermos “transportados” de forma desumana em ônibus, trens, barcas e metros completamente lotados. Filas intermináveis, veículos que quebram constantemente e colocam em risco nossas vidas. Péssimos serviços oferecidos por toda uma máfia que controla o transporte coletivo, cobrando passagens de valor absurdo e que aumentam todo ano. No período de 1994 até hoje, as passagens tiveram um aumento que é três vezes maior que o índice da inflação nesse mesmo período. Nossos salários aumentaram da mesma forma? Além disso, estas empresas ainda recebem isenção de impostos do governo federal (Medida Provisória 617) para continuarem lucrando com suas falcatruas.

Ainda sobre as políticas do governo, para beneficiar gananciosas empreiteiras e empresas de transporte coletivo, em prejuízo do povo, milhares de famílias e comunidades inteiras são despejadas por conta das obras de BRTs da Transcarioca. Abusos, violência e total violação dos direitos humanos que estas famílias sofrem, incluindo coação e pressão psicológica para se retirarem, aceitarem injustas indenizações e irem para um apartamento do Minha Casa Minha “Dívida”, bem longe e construído com os piores materiais.

Os trabalhadores destas empresas de transporte coletivo também sofrem. Em seu cotidiano de trabalho, motoristas e cobradores de ônibus tem seus direitos trabalhistas violados, além do descumprimento de normas de saúde e segurança por imposição dos donos das empresas. Jornadas de trabalho que passam de 12 horas, sem direito à 1 hora de descanso e refeição, e terminais sem banheiro. São expostos à níveis de ruído acima do suportado, em ônibus velhos e sem manutenção. Um terço dos motoristas exerce dupla função (dirigindo e cobrando), ficam exaustos e coloca-se em risco a vida de todos. São obrigados a cumprirem metas da passageiros pagantes, de número de viagens e tempo. Seus salários sofrem todo tipo de descontos injustos e abusivos por parte dos patrões, que lhes cobram as multas de trânsito e toda avaria e dano ocorrido nos veículos.

Assim, trabalhadores, desempregados, estudantes e todo o povo é desrespeitado e sofre diariamente com esta violência dos governantes e empresários, e quando resolvemos reclamar, protestar, somos tratados como criminosos. E os jornais, como empresas de comunicação gananciosas que são, sustentando-se de anúncios e patrocínio de empresários, são os primeiros a criminalizar o povo, os movimentos sociais e todos aqueles que se organizam para protestar e lutar pelos direitos que são nossos, direitos que foram conquistados com muita luta pelo povo.

Copa do Mundo

Bilhões são investidos nas obras da Copa, em BRTs, obras de fachada, intervenções urbanas e despejos de comunidades e estádios de futebol. Mas será que esses benefícios são para o povo? Os ingressos para os jogos estão na faixa dos 100 Reais para cima, e um cachorro quente está custando 8 Reais no Maracanã, e ainda é proibido entrar com qualquer comida ou bebida no estádio. Tudo isso mostra a intenção de fazer um “branqueamento” do público que vai ao estádio. Excluir o povo e selecionar o espetáculo para uma elite e turistas. Foi gasto 1,24 bilhão nas obras do Maracanã, sendo 400 milhões vieram do BNDES, ou seja, dinheiro público. E agora o estádio é entregue a Eike Batista para lucrar com mais um empreendimento.

Quando nossos filhos e familiares ficarem doentes vamos levá-los aos estádios? Quando precisarmos de escolas para as crianças, de espaços de lazer, de praças ou de moradia depois de uma enchente devemos ir aos estádios então, porque é lá que foram gastos bilhões do dinheiro público que deveriam ter sido usados em hospitais, saneamento, escolas, habitações, áreas de lazer e outros benefícios para o povo.

Na Copa das Confederações temos uma prévia do que vem aí na Copa do Mundo. A FIFA tornou-se um grande xerife, determinando o que pode e não pode ser feito pelo torcedor dentro e fora dos estádios, como num regime de exceção, podendo acionar a polícia ou outra força de repressão “conforme avaliação a exclusivo critério das Autoridades da Copa das Confederações da FIFA ou de quaisquer outras pessoas legalmente autorizadas” (do “Código de Conduta no Estádio” entregue aos que compram ingressos).

O direito de nos manifestarmos nas ruas

O povo tem todo o direito de ir às ruas reclamar e manifestar sua indignação por tanta falta de respeito, descaso e violência cometida pelos governantes, seus aparatos militares e empresários. Já estamos cansados de tanta injustiça e nossa voz nas ruas não pode ser calada com bombas, balas de borracha e cassetetes do choque como no período da ditadura militar! Gás de pimenta e balas de borracha são letais, podem cegar e matar! A voz do povo nas ruas não pode ser criminalizada e censurada pelos jornais e canais de televisão!

Quando governo e empresários aumentam as tarifas, o povo não é consultado. Mas se nos cansamos dessa situação e resolvemos protestar e lutar pelo fim das desigualdades sociais e opressões, ou se os trabalhadores fazem greve, tudo isso é taxado como desordem e crime. Pelo contrário, desordem é o que fazem conosco as políticas públicas e a exploração dos patrões. Organização é o que propomos, quando o povo participa e é protagonista da gestão política e econômica da sociedade, de forma direta, sem representantes. Protestar e organizar-se são atitudes legítimas.

Protesto não é crime!

Basta de criminalização aos movimentos sociais!

Por um transporte 100% público, com passe livre para desempregados e estudantes!

Redução do da tarifa do transporte coletivo pela força das ruas!

Movimento dos Trabalhadores Desempregados – “Pela Base!” (MTD-PB-RJ)

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